quarta-feira, 25 de maio de 2011

Crônica do passado ao futuro - Um pouco de reflexão

Aos 9 anos de idade ganhei um concurso de redação na escola. O mérito do texto estava no contexto, escrito em tenra idade questionava o posicionamento que os pais deveriam ter para preservar o mundo para seus filhos. O titulo da redação era o "O Futuro do Mundo" e foi escrito a 20 anos atrás. Esse futuro já chegou, as crianças que ouviram a professora ler o texto cresceram, tornaram-se pais e hoje devem cuidar do mundo para seus filhos. A questão é será que esse texto fez alguma diferença?

Fez! Talvez não tenha feito muito sentido para as crianças de 9 anos, mas para os professores, esse apelo infantil soou como um gongo, fazendo-os refletir sobre aquilo que ensinavam. Esse som não parou, dois anos mais tarde no Rio de Janeiro Severn Cullis Suzuki fazia seu discurso na Rio 92 calando o mundo. Ela disse "Sou apenas uma criança, mas ainda assim sei que se todo o dinheiro gasto nas guerras fosse utilizado para acabar com a pobreza, para achar soluções para os problemas ambientais, que lugar maravilhoso a Terra seria!". Aos 12 anos ela já sabia o que precisava ser dito. Palavras como essas, como as minhas e como as de outras milhares de crianças ecoaram pelo mundo pedindo o fim da destruição de nosso planeta. É graças é isso que hoje, depois de 20 anos, temos energia eólica, veículos elétricos, carbono zero e tantas outras atitudes que a cada dia tornam o planeta melhor. Então pergunto: Salvamos o planeta?

Não! Apesar de muito ter sido feito, muitas pessoas ainda permanecem surdas as vozes das crianças. Todos os dias milhões de pessoas optam pelo conforto próprio ao invés da consciência coletiva. Usam os mais insólitos argumentos para justificar seu egoísmo. É por isso que nestes 20 anos tivemos imensas catástrofes ambientais, inúmeras guerras, milhões de mortos de fome. O que falta é vontade! Seja econômica, seja política ou mesmo cultural. Porque na selva de pedra das cidades a realidade é quimérica. Nossas cidades são feridas abertas no corpo do planeta, onde o certo e o errado perdem o sentido. É fácil ignorar a pobreza, a sujeira, a poluição, a violência e tantos outros males modernos. Somos virtuais em mundos perfeitos, criados a semelhança de nossas lembranças, onde vivemos nossas fantasias. Cada dia mais esse mundo virtual nos afasta da dura realidade, o planeta agoniza. Qual será o final dessa história?

Essa geração de adultos teve sua chance, mas não conseguiu fazer tudo que precisava. Muitos ainda negam o obvio: Se vivemos nesse planeta, tornamos o planeta vivo. Assim como todo o ser vivo ele é frágil, podemos arrancar sua saúde e levá-lo a morte. Mesmo assim essa geração cumpre a função que lhe foi dada em meu texto infantil. Hoje ecologia é assunto de TV, meio ambiente é disciplina na escola, ecologicamente correto é marketing para as empresas, reciclagem é arte e poderia falar durante horas sobre projetos que reduzem o impacto de nossas atividades. Isso não existia a 20 anos quando a menina de 12 anos disse "Durante toda a minha vida eu sonhei ver grandes manadas de animais selvagens, selvas, florestas tropicais repletas de pássaros e borboletas, mas agora eu me pergunto se meus filhos vão poder ver tudo isso." Os filhos dela poderão ver as manadas, mas cai sobre seus ombros a responsabilidade de acabar com o consumo de petróleo, os desmatamentos para agricultura, a utilização de crianças como mão de obra, o desperdício de comida. Eles nascem sabendo que se não agirem agora o planeta corre sérios riscos. Fico honrado de saber que sou pai da geração que poderá salvar nosso planeta.

Fabrício Schossler

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